Vampiro

Imagem meramente ilustrativa com Michael Pate no filme Curse of the Undead (1959)

Domingo, 24 de agosto de 1941

Não existe uma explicação suficiente para o regresso de falecidos parasitas, então eu deixo registrado minha crença a respeito;

A morte é um medo universal e as vezes esse medo impede uma alma de seguir caminho, deixando ela presa ao corpo em decomposição. O instinto natural dos presos entre vida e morte é buscar mais vida. Sangue é vida! Sugar sangue é continuar vivendo!

As vítimas do vampiro sempre serão familiares, ou quando não ter nenhum, alguém que compartilhe do mesmo sangue! Quem servir de alimento definhará vagarosamente, com feridas visíveis pelo corpo, diagnosticadas quase sempre com tuberculose, ou raiva.

Vampiros são iguais a espíritos comuns, exceto que ao invés de ficarem a maior parte do tempo intangíveis como fazem os fantasmas, são muito mais palpáveis. Assim como tudo o que é mal intencionado, ele é mais ativo a noite e é repelido pelo sagrado. A fé será tua arma, a cruz será teu escudo e solo santo será o teu refúgio! [É seguro afirmar que outros símbolos sacras imbuídos de fé também são eficientes. No caso de meu bisavô, sua fé era cristã.]

O estômago do vampiro deve ser perfurado para que o sangue sugado se esvaia e junto sua energia vital. Queime ele no final e reze pela sua alma, porque quase sempre retornam como obsessores. [Geraldo Castro, meu bisavô

O vampiro de Capão Bonito

 sexta-feira, 8 de fevereiro de 1974

Meu pai por vezes dizia que por nós nascermos e vivermos no ofício do oculto, desenvolvemos uma intuição especial. Foi isso o que fez eu parar no trevo de Calixto Almeida, em Capão Bonito! Uma impressão de que haveria trabalho.

Fingindo ser agente sanitário, conversei com alguns moradores próximos. Eles me informaram, mesmo com minhas perguntas não condizendo com o ramo de saúde pública, que mais a frente havia uma casa “pestilenta”, e cheia de azar. Foram também intitulados de forma pejorativa como tuberculosos.

Por cuidado usei máscara, e visitei os infortunados, dessa vez me passando por vendedor de medicamentos alternativos, porque isso possui um certo apelo para quem está no fundo do poço. Me sinto mal, mas se aproveitar dessa debilidade é a maneira mais eficaz de ser convidado.

Eu conheci a garota no seu quarto como num caixão, pois não entrava luz ou ar. A pobre jovem era pálida, e muito magra. Me senti na obrigação de socorrê-la. Sequer consigo imaginar os sentimentos de uma mãe vendo sua criança definhando numa cama!

[Transcrição da conversa gravada entre meu vô João, e a mãe da menina]

[João] – O que ela tem?

[... pequena pausa ...]

[João] – Eu sei que pode ser difícil falar sobre isso, mas tenha fé. Se for o que eu to pensando, eu poço ajudar!

[Mãe] – É tuberculose!

[João] – Você também tem, ou é só ela?

[Mãe] – Eu não. Por que tá gravando?

[João] – Só pra não esquecer depois!

[Mãe] – Achei que você fosse me vender um remédio.

[João] – Eu vou. Mas por agora, não acha estranho que uma doença tão contagiosa, afete só ela? Quer dizer, tuberculose pode ser assintomática, mas ainda assim, um teste de sangue denunciaria, se você tivesse. Tem certeza que não tem?

[Mãe] – Eu vou ser sincera. Isso me incomoda! Você podia...

[João falou por cima] – Ela viu algum parente falecido?

[... pausa longa ...]

[João] – Não precisa ter medo. Só me diga o nome, e onde foi enterrado!

[Mãe] – Quem é você? Quem te contou essas coisas?!

[Áudio encerrado]

Infelizmente, meus esforços foram inúteis. Devido a natureza suspeita dos questionamentos, ela se recusou a cooperar. Embora ela não tenha sido rude, percebi que não era bem aceito. Então busquei por certidões de óbito recentes com o sobrenome da família. Depois confirmei na paróquia qual o falecido condizente e onde fora enterrado.

Era um típico caso de vampiro.

Abrir um túmulo de vampiro a noite costuma ser perigoso, porque é o horário em que o vampiro se torna ativo, mas fazer o mesmo durante o dia é se expor profanando um tumulo! Se eu fosse pego, não poderia concluir o serviço!

Com a marreta, eu derrubei a tumba, atento ao arredor. Quando eu terminei, abri o caixão, e o que eu vi me arrepiou. Lá estava um rosto corado me fitando nos olhos. Tirei a estaca de minha mochila, mas antes que eu pudesse usar, a coisa sumiu.

Logo atinei que deveria estar indo se alimentar, portanto, eu aproveitei para encharcar o caixão com gasolina e esperar. Não demorou. Eu comecei a chamar por ele, ao que ele respondeu chorando, lamentos longos e doloridos. Eu gritei: – Morrer é doloroso, não é?! Beber sangue não resolve! Não se cura a morte! Me deixa te salvar!

Com um empurrão, fui jogado no chão, mas não havia nenhum agressor. Tinha sido uma força invisível! Eu continuei;

– Não fique com medo do que vem depois!

O espectro apareceu na minha frente. Eu ergui a água benta, e o pressionei a voltar para o caixão. Lembrei-me das orações que minha avó havia ensinado, recitando em voz alta, recordando o quanto eu gostava de ouvir ela orar! 

Ordenei ao vampiro que recuasse. Ele me obedeceu olhando triste, andando de costas com perfeição. A criatura deitou-se em seu leito e fechou os olhos. Eu pude ouvir o vampiro rezando baixinho!

Risquei o fósforo e pus fim a aquela alma perdida. Espero que ela se ache.

Lobisomem

 

Ilustração de um lobisomem que encontrei em Rio Branco! Infelizmente, eu vi somente a sua silhueta. Foi o único que já tive o prazer de descobrir!
sexta-feira, 22 de agosto de 1941

A lua revela a verdadeira natureza das coisas. Todo homem cruel é um monstro disfarçado. A razão para que alguns se tornem monstros nas noites de lua cheia, enquanto outros não se tornam, ainda é um mistério para mim.

Os lobisomens não são iguais. Eles aparecem em névoa negra as vezes, ou com faíscas saindo dos olhos, um ou outro com par de chifres e até cascos. Já vi também, um lobisomem que andava igual gente.

A luz da lua afasta eles, mas não machuca. Eu acredito que a lua ser prateada não é coincidência, porque a prata também os incomoda.

Para matar, serve qualquer arma normal. O importante é saber que não se pode enfrentar sozinho! Seria pior que enfrentar um leão desarmado!

Para descobrir se uma pessoa é lobisomem, só é preciso alguma coisa de prata. Assim, ele vai mostrar as garras e dentes, ou talvez só se descontrole. É bom ver também se a pessoa sempre some nas noites de lua cheia, e se os animais gostam dela. Com um gole de “elixir”, dá para descobrir de jeito fácil! [Geraldo Castro, meu bisavô]

segunda-feira, 01 de novembro de 1993

De acordo com o relato de meu primo Guilhermo Castro Lima, que hoje reside no Paraguai, existem provas para crer-se que lobisomens conseguem organizar-se no que ele chamou de “alcateias”. Segundo ele, alguns podem, para fins de segurança e liberdade, agrupar-se em áreas de difícil acesso! Durante o dia, vivem sem amarras morais, e durante as noites de lua cheia caçam de forma organizada e inteligente. Tudo isso é fundamentado em experiências pessoais! [João Castro, este que voz fala]

 

A serpente de Itapeva

quarta-feira, 6 de fevereiro de 1974

Aqui estou, em Itapeva. A experiência de hoje fez da escalada à Serra do Lopo, não ter sido completamente em vão. Posso não ter visto nenhuma luz flutuante, como afirmou aquele velho mentiroso de Joanópolis, mas ouvi de uma das trilheiras sobre o demônio dessas redondezas! A própria, me disse tê-lo visto em pé na porta da Catedral de Santana. Pareceu-me promissor!

Noite passada, tomei um gole do “elixir” [bebida mágica que confere poderes mediúnicos. Farei futuramente, um post sobre o assunto] para averiguar a igreja. Logo na porta, ouvi rumores baixos, próximos ao solo. Para ser mais exato, vindos das rachaduras.

Eu me agachei, e na voz suave de uma moça, algo me perguntou; – Você pode me ouvir?

Entusiasmado eu confirmei. E para minha surpresa, em minha frente, uma jovem índia de cabelos negros, e olhos dourados me suplicou para que a ajudasse, e tirei notas de cada palavra.

– Eu não posso tocar, beber, ou comer. Sou um fantasma. Não! Uma mera aparição. A ponto de deixar de ser na menor das brisas.

Pedi que me contasse sua história, e ela fez;

Conforme explicou, seria uma jovem proibida de se encontrar com o seu amor, e que acabou morrendo por causa disso. Perguntei o seu nome, mas ela não respondeu. Apenas pediu o seguinte:

– Tudo o que preciso é que escavem esta igreja! Preciso de um grande buraco, por onde meu espírito possa escapar.

Nesse instante, peguei meu cantil e dispersei um pouco de água benta que extrai do túmulo santo em Leopoldina. A linda índia recuou imóvel, como uma foto. Aquela figura estática falou, numa voz arrastada e longeva, sem mover os lábios;

– MORTE AO POVO! 

Um leve tremor de terra aconteceu, tão breve que facilmente passaria despercebido, e em seguida, não houve mais nada o que ver. Não sei bem ao certo o que era a criatura, mas sei o que não era. Não era um fantasma! Não era algo físico! Não podia ser visto ou ouvido por pessoas comuns! Era maligno! E possivelmente, estava selado sob o solo!

O lobisomem de Joanópolis

quarta-feira, 9 de janeiro de 1974

Fui arrastado a este cantinho de mundo, Joanópolis, pela pura curiosidade de descobrir a verdade sobre o burburinho local envolvendo mutilação animal e encontros indesejados com “um bicho peludo”. Foi assim que o descreveram.

Era quarta-feira, acho que lá pelas seis da manhã, quando comecei a entrevistar toda a gente sobre os causos de avistamento. Muita coisa foi claramente inventada, muitos não quiseram cooperar, e o grande resto ou riu de mim, ou simplesmente era descrente. Não consegui tirar nada de proveitoso, exceto que era consenso entre os supersticiosos ser culpa de lobisomem.

Eu subi à beira de um dos morros, onde ouvi que havia morrido gado recentemente. Ou para ser mais exato, onde havia alguma coisa morta e espalhada. Não dava para dizer que aquelas coisas já foram vacas um dia! O dono estava num misto de fúria e medo. Não consegui convencê-lo a me ajudar a capturar o monstro. Na verdade, não consegui convencer ninguém. Porém, não há nada que não se compre com um punhado de cruzeiros!

Com alguns atiradores não muito motivados, devo acrescentar, só foi preciso comprar uma vara de porcos bem barulhentos e encontrar a área ideal para montar a armadilha. O bichão tinha fama de voltar muitas vezes seguidas para um mesmo lugar, então porque não deixar tudo preparado próximo a última chacina dele?!

As lendas dizem que para matar um lobisomem é preciso uma bala de prata no coração, mas conforme experiencias pessoais, não com lobisomens, mas com balas de prata, descobri que é inviável! Existe motivo para os projéteis serem de chumbo. Os de prata não vão para o ponto projetado, e desaceleram no processo, além de serem muito complicados de se confeccionar. Por isso, torci para que balas convencionais funcionassem.

Foi uma espera entediante, mas quando a lua cheia atingiu seu ápice, saiu do mato um cheiro insuportável de carniça. Um dos armados que já tinha visto o bicho uma vez, nos avisou que era o cheiro do lobisomem. A primeira coisa que vi dele foi os olhos que pareciam tochas de fogo, enquanto o resto do corpo se fundia ao ambiente escuro. Não gosto de admitir, mas gelei por inteiro! E não foi só eu!

Aquela confusão difusa e sombria parecia crescer quanto mais se aproximava! Mas a poucos metros dos porcos desesperados, o espectro demoníaco cruzou os raios de luar, desfazendo toda a aura anterior e revelando cruamente um cachorrão negro, desgrenhado, com os olhos de um dragão!

Atirei primeiro e errei, mas na saraivada que se seguiu, uma das patas do bicho foi machucada. Ele guinou como um porco e se embrenhou no mato. Vejo agora que fui precipitado! Mas não adianta lamentar! Um dia é da caça, e outro do caçador!

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