quarta-feira, 6 de fevereiro de 1974
Aqui estou, em Itapeva. A experiência de hoje fez da escalada à Serra do Lopo, não ter sido completamente em vão. Posso não ter visto nenhuma luz flutuante, como afirmou aquele velho mentiroso de Joanópolis, mas ouvi de uma das trilheiras sobre o demônio dessas redondezas! A própria, me disse tê-lo visto em pé na porta da Catedral de Santana. Pareceu-me promissor!
Noite passada, tomei um gole do “elixir” [bebida mágica que confere poderes mediúnicos.
Farei futuramente, um post sobre o assunto] para averiguar
a igreja. Logo na porta, ouvi rumores baixos, próximos ao solo. Para ser mais
exato, vindos das rachaduras.
Eu me agachei, e na voz suave de uma moça, algo me perguntou; – Você pode
me ouvir?
Entusiasmado eu confirmei. E para minha
surpresa, em minha frente, uma jovem índia de cabelos negros, e olhos dourados
me suplicou para que a ajudasse, e tirei notas de cada palavra.
– Eu não posso tocar, beber, ou comer. Sou um
fantasma. Não! Uma mera aparição. A ponto de deixar de ser na menor das brisas.
Pedi que me contasse sua história, e ela fez;
Conforme explicou, seria uma jovem proibida de se
encontrar com o seu amor, e que acabou morrendo por causa disso. Perguntei o seu nome, mas
ela não respondeu. Apenas pediu o seguinte:
– Tudo o que preciso é que escavem esta igreja!
Preciso de um grande buraco, por onde meu espírito possa escapar.
Nesse instante, peguei meu cantil e dispersei
um pouco de água benta que extrai do túmulo santo em Leopoldina. A linda índia
recuou imóvel, como uma foto. Aquela figura estática falou, numa voz arrastada
e longeva, sem mover os lábios;
– MORTE AO POVO!
Um leve tremor de terra aconteceu, tão breve
que facilmente passaria despercebido, e em seguida, não houve mais nada o que
ver. Não sei bem ao certo o que era a criatura, mas sei o que não era. Não era
um fantasma! Não era algo físico! Não podia ser visto ou ouvido por pessoas
comuns! Era maligno! E possivelmente, estava selado sob o solo!
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